Como era muito cedo, a temperatura ainda era baixa naquela região. Hamburgo era uma cidade ao norte da Alemanha, além de ser a segunda maior cidade da Alemanha perdendo apenas para Berlim, era a cidade mais sofisticada daquele país. E esse foi um dos motivos pelos quais Grace a escolheu para sua viagem de férias.
Enquanto dirigia sentindo a brisa da manhã, Grace pensava em como os planos podem mudar de uma hora para outra. Estava ali numa fazenda, enquanto os seus planos era ir para uma cidade sofisticada e luxuosa. Estava envolvida com pessoas desconhecidas sendo que não tinha família nem amigos. Andava num Jipe que mais parecia um carro de guerra, quando, na verdade, era uma das maiores “designers” do mundo automobilístico da atualidade.
Agora passava pelo bosque que havia visto lá da sede. E pode perceber que era bem maior do que podia imaginar, e mais a frente via que a estrada passaria por dentro daquele bosque. Parou o Jipe naquela entrada com um pouco de medo, pode perceber que a luz do sol não penetrava por aquelas densas árvores, era um tanto sombrio. Mas o que poderia acontecer, um animal selvagem no máximo poderia cruzar o seu caminho, porque a Alemanha nazista já não existia mais.
_Bem, vamos lá mocinha. Você é a Lara Croft. (Ela diz num tom de ironia para si mesma tentando disfarçar o seu medo.)
Se concentrou então apenas na estrada, sem olhar para os lados e nem para o alto para não imaginar que teria algum perigo em cima daquelas árvores.
Enquanto adentrava mais e mais naquele bosque percebia que ao invés daquelas árvores ficarem mais densas e assustadoras, ficavam mais raleadas e espaçosas é já não eram mais tão sombrias como antes.
Mais adiante pode ver trilhas com calçamento e até alguns bancos de madeira espalhados em vários pontos do bosque. Então pode imaginar que a margem do rio deveria estar bem perto.
Não demorou muito e lá estava ele, lindo e majestoso. Aquele era o Rio Elba, Um dos canais que cortavam a imponente cidade de Hamburgo. Pelo menos é o que Grace tinha ouvido de um dos funcionários da fazenda.
A margem do rio era muito bonita. Tinha estacionamento para carros e rampa para embarcação, também havia iluminação em toda a margem. Era um lugar muito bonito durante o dia e deveria ser muito bonito a noite também.
Grace estaciona o Jipe e resolve fazer um passeio a pé para poder desfrutar um pouquinho mais daquele lugar. Não estava com medo, pois estava bastante movimentado aquela margem, havia vários pescadores ali por perto e até algumas mulheres.
Enquanto caminhava tranquilamente, um rapazinho se aproxima e pergunta se ela procurava algum barco para leva-la em alguma ilha.
_Olá senhorita, estamos à disposição caso queira uma embarcação.
_Numa outra ocasião eu procuro-lhe meu jovem. Hoje só quero caminhar mesmo.
O menino se afasta sem esboçar nenhuma reação e sai a procura de outra pessoa.
O bosque era sem dúvida muito usado por todo aquele povo que viviam de pesca ou donos daqueles quiosques que existiam por ali. Dava pra perceber que existia uma população ribeirinha.
Outra coisa que se percebia muito bem era a limpeza do lugar, não se via nenhum lixo jogado pelo chão. O que Grace pode concluir que ou eram pessoas muito educadas, ou era uma área pública mantida pela câmara municipal local.
Enquanto pensava, sem perceber já estava dentro do bosque. E Grace resolve sentar num banco que já estava bem próxima. Quando se aproxima rapidamente para sentar tem a vaga sensação de ter visto um vulto se escondendo entre as árvores. Aquela sensação má de estar a ser observada não agradou Grace. Então resolveu que iria embora. Voltaria outra hora acompanhada de alguém, pois estava se sentindo desprotegida. Enquanto não saiu completamente dali de dentro do bosque aquela sensação de estar a ser observada não desapareceu.
O caminho de volta foi mais tranquilo. Parece até que foi mais rápido voltar do que ir.
O lugar onde Marx guardava o Jeep era perto da cocheira .
Após guardar o Jipe no galpão perto da cocheira, resolve passar de novo por lá para ver os cavalos.
No curral ao lado, um garanhão cobre uma égua, uma cena um tanto selvagem. Aquela cena causa-lhe um certo constrangimento, mas estava sozinha e continuou a observar por alguns instantes até que uma voz forte a interrompe.
_Uma cena muito comum por aqui.
Quando Grace vira para ver quem era o atrevido que tentava embaraçar, deu ďe frente com um homem muito bonito, de mais ou menos uns 25 anos, pele clara, olhos verdes, cabelos lisos e castanhos.
_Meu nome é Keven,a senhorita é parente de Marx?
Meia desconcertada não sabia se pelo fato dele ser Keven ou se era devido à cena que a encontrou, só conseguiu responder depois de alguns segundos.
_Eu, bem, não. (Responde Grace).
Keven começou perceber que deixou a moça embaraçada e tenta consertar a situação.
_Me desculpa senhorita não queria embaraçá_la .
_Não estou embaraçada, sou uma mulher moderna.(Responde Grace tentando provar a si mesma que não estava envergonhada)
_Bem! Acho que deveríamos nos apresentar antes de iniciar uma discussão. O meu nome é Keven.(Fala enquanto estende a mão para cumprimentar Grace).
Após pegar na mão de Keven, um arrepio lhe percorre a espinha, e mal consegue encarar_lhe, pois era uma vergonha sentir aquilo por um desconhecido.
_Grace Morrist (Grace ia falar Morrison, mas lembrou do seu nome na agenda de Keven).
_Grace Morrist! Parece familiar. A senhorita é da América?
Tudo o que Grace queria naquele momento era sair correndo dali.Será que contaria a verdade?
_Sim. Sou de Nova York.
_Que interessante . Conheço muitas Grace no mundo, mas nenhuma de Nova York.
Grace não sabia porque ele mentia. Talvez ele quis dizer que não conhecia pessoalmente nenhuma Grace em Nova York. Ou então o que explicaria o seu nome naquela agenda?
_Pelo jeito você viaja muito.
_Sim. Tenho negócios em várias partes do mundo.
_E tem ido para Nova York? (Pergunta Grace tentando descobrir um pouco mais).
_Ultimamente sim, os negócios andam muito bem por lá. (Responde Keven com um ar de satisfação).
_Sem querer intrometer-me, qual o ramo de negócio da sua empresa?
_Carros,fabrico carros.(Responde Keven)
_Carros!.....O que! Quero dizer, carros.(Fala em tom alterado)
_ O que você tem contra carros? (Pergunta Keven)
_Não, nada. Mas qual o nome da sua empresa? Talvez eu a conheça. (Pergunta eufórica, mesmo sabendo a resposta de Keven. É claro que ele é seu patrão, não restava a menor sombra de dúvida. Afinal o nome na agenda, a foto do Porsche, tudo se encaixava muito bem).
_Sou dono das empresas KBL. Já ouviu falar?
Havia uma cerca de madeira onde Grace pode se segurar por alguns instantes. E agora? Como iria dizer que era Grace Morrison?
_Sim , já ouvi falar, aliás, é impossível não ter ouvido falar, quando há tantos comerciais na televisão, Internet.
_Verdade, eu tenho que concordar com você. Ah! Já me ia a esquecer, a minha empresa de Nova York tem uma grande “designer” que se chama Grace. Não a conheço pessoalmente, mas estou muito feliz com o seu trabalho.
_Que bom. (Responde Grace quase sem fôlego). O que sentia era um misto de satisfação e medo. Sabia que não ouviria um elogio daquele pessoalmente,mas, por outro lado sentia que estava numa tremenda enrascada.
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